December92009

Imaginar como você está, que roupa está vestindo, que perfume está usando. Lembrar das palavras que você disse, das coisas que você fez, do jeito de como me abraçou. Lembrar de você, pensar em você, sonhar com você. Tentar negar, dizer que não penso em você ou que não quero ver você de novo, quando você não sai da minha cabeça e conto os dias pra você voltar. Tentar não me iludir, tentar não me envolver demais, tentar não sofrer. Tentar não esperar tanto, tentar não criar muitas expectativas, tentar por os pés no chão. Tentar acreditar nas minhas próprias mentiras de que isso vai passar, que isso não é nada, quando, no fundo, eu sei que não vai passar e nem mudar.

October182009

Docemente Cruel

Por onde andastes, minha cara? Se não notastes, sinto sua falta, e isto anda me perturbando. Éramos um só, e hoje me encontro em partes; a parte que te cabe sofre sua ausência. Chamem de egoísmo, ao meu ver é dependência. Eras como meu escape, mas obtive cura.. uma cura limitada como me disseram. Um tanto irônico, meu bem, hoje procuro-te como criança busca o seio de sua mãe. Não se contentando em deixar-me só, levastes consigo minha inspiração; desde que se foi, as palavras embaralharam-se em minha mente, fugidas do próprio dono, como suas cúmplices. És ciumenta e provocadora, jogas sujo com minhas emoções; ao passo que te invoco, imploro que retome seu posto de onde não deverias ter saído. Traga minhas lágrimas de volta, preciso vê-las rolando em meu rosto e tocando meus lábios, ainda quentes pelo remédio, remédio esse que te libertou de mim. És deveras necessária, largo de lado meu orgulho e clamo seu regresso. Contudo, volte moderada, hei de controlar-te desta vez. Volte apressada, intensa, furiosa para mim; seja uma menina cruel, rasgue meus pontos, exale a dor sufocada por sua súbita partida. Aguardo-te ansiosamente, como boa anfitriã que sou. Quando chegar, não use de piedade ao expelir a atrevida e transparente felicidade que te usurpaste. Sobreviverei deste modo, em divisões, até que me perdoes e retornes. Minha boa menina, meu anjo cruel. Revelo-te; és nada menos que tristeza materializada. Ganhastes vida e esquecera-te de sua ama, traidora! Sentirás a maldita falta que sinto, sou seu fardo como és o meu, e voltarás à meus braços, ao oco espaço que deixastes, hoje ocupado pelo nada. Sejas ligeira minha cara, ordeno-te que volte!


[http://nathmendes.blogspot.com/]

October82009

U2 por Rita Rocha

U2 Por Rita Rocha

“As coisas que mais me chamaram a atenção foram os livretos que fazem parte dos kits, e é a partir deles que este texto terá princípio. No livreto de Boy, é curioso observar as fotos e perceber que havia ali garotos inexperientes e - porque não? – medrosos. Mas que, a todo custo, tentaram esconder essa insegurança típica de adolescentes fazendo poses, caras e bocas. A ilustração feita por Bono no início do livreto parece querer passar para o papel as perturbações de um garoto que perdeu a mãe há pouco tempo e que não tem o que podemos chamar de “relacionamento” com o pai. O texto de Paul Morley, contando da primeira vez que os viu e que se espantou com um “Bono brilhante, a profunda concentração de Adam, as batidas de pele e sangue de Larry e os anseios explosivos de The Edge” e da empatia primária que teve assim que assistiu à apresentação da banda, que “era tão inexperiente e desconhecida, não tinha uma gravadora e era de tão longe (o show aconteceu em Londres), abrindo o show de uma banda obscura chamada Soul Boys, que só existiu para que eles fizessem parte da história”. Morley continua seu relato e não dispensa adjetivos àqueles garotos tão audaciosos, tão assustados e tão certos de seu sucesso. No fim, como veríamos nos outros dois livretos, uma pequena explicação de The Edge sobre as canções e suas histórias.

O livreto de October, com um texto de Neil McCormick, que poderia ser resumido dessa maneira: “O som de uma banda em crise, ainda com fogo, ‘October’ é o tesouro perdido do U2. Um rugido ensurdecedor de uma confusão espiritual e um rock de ficção científica, este é o álbum que quase acabou com eles antes mesmo deles terem começado”. Durante seu texto, McCormick conta a história da gênese do álbum – que chama de “álbum com canções não-finalizadas e letras desesperadamente inarticuladas, quase passionais para tratar de um tema tão espinhoso de uma forma quase nua”. Nas fotos, os mesmos meninos do álbum anterior, com olhos que demonstravam ao mesmo tempo – se é que isso é humanamente possível – medo e esperança.

Chegamos ao fim da primeira trilogia U2niana, com War, que parece ter vindo com a missão de salvar aqueles garotos do quase naufrágio que foi October. O estilo de Niall Stokes – autor do texto que é contido neste livreto – é um pouco diferente dos outros dois textos. Ele nos contextualiza historicamente, talvez como que uma explicação para o título do álbum: a invasão soviética do Afeganistão, a eleição de Ronald Reagan, a guerra das Ilhas Maldívias, a intervenção americana no Líbano, os ataques do IRA, entre outros. O mundo estava em colapso. E o álbum, “um tapa na cara”, como disse Bono à HotPress, à época do lançamento, trazia a angústia de toda uma juventude. O grito desesperado por soluções, por paz, por um novo mundo. Uma juventude que gritava, insistentemente, para que alguém “enxugasse as lágrimas”, renunciando à violência e que terminava seu clamor desesperado por paz com uma oração, com uma promessa. Promessa de “cantar uma nova canção”. Promessa de esperança, de renovação. A letra de “40”, última música do álbum, talvez fosse uma resposta à primeira, que perguntava “por quanto tempo cantaríamos aquela canção”, de guerra, de dor, de angústia. É curioso observar, neste álbum, que os b-sides são praticamente releituras das mesmas músicas do CD principal. Quatro versões de New Year’s Day, três versões de Tw Hearts Beat as One. Poderia, sim, ser mera coincidência. Mas, para mim, a “coincidência” se auto-explique por tudo que escrevi acima.

Os CDs são um caso à parte. Ter todos os b-sides em um único CD, num áudio limpo e “novo”, sem aqueles ruidinhos tão característicos de um LP, é um sentimento único.

O case, luxuoso, próprio pra colecionador, faz com que eu – que, confesso, não tenho todos os álbuns do U2 – queira comprar todos, de uma só vez, e depois comprar de novo quando todos os outros antigos forem remasterizados. “Agora sim, o início de uma coleção respeitável”, disse-me meu namorado – a quem eu “converti” ao U2anismo – ao ver os CDs. Sim, o início de uma coleção respeitável. Talvez até seja o início de uma nova safra de verdadeiros fãs, que conheceram o U2 em 2006, quando a banda veio ao Brasil. “Fãs” que agora terão a oportunidade de conhecer músicas que talvez não soubessem nem que existiam. Afinal, que “fã” (uso a palavra entre aspas para destacar a diferença entre os fãs “antigos” e os fãs “pós-Vertigo Tour no Brasil) conhece todo o álbum October? Claro, com a internet tudo fica mais fácil. Mas… nada substitui o prazer de ter estes exemplares tão bem feitos, tão delicados e dedicados aos fãs, que acompanham o “quarteto fantástico” há tanto tempo. É um investimento que vale muito a pena, para quem realmente é fã. E para aqueles que ainda não são tão fãs assim e foram ao estádio do Morumbi nos dias 20 e 21 de fevereiro de 2006 só pra ver “a banda do loirinho do clipe da sereia”, é uma ótima oportunidade de conhecer essa banda única, que, por onde quer que passe, arrasta multidões atrás de suas mensagens de paz, amor e esperança.”

5PM

Sex Is Revised

Sex Is Revised

“you kiss me
softly
in the hollow
of my neck.

Your lips send
shivers
down my spine
making me
want you
making me
w e t.
I pull at your shirt
And
in a graceful rush
we strip.

staring…

you at me
I at you.


I make my move.
touch you
where
I know
you like it.
kiss you
where
I know
you crave it.
tease you
where
I know
it aches.

your hands
run over
my flesh.
Every inch
you know
there is nothing
left
to explore.

yet everything
is new.

You lay me down.
The sheets feel
fresh
and smell
clean.
Your fingers
move in rhythm
with my
breathing.

Your tongue
explores
between my lips.

You ask me
to close
my eys.
I hold my
breath.
I can hear

everything.

I can feel
you near.

And then
there is
nothing.
nothing.
nothing.
complete and utter
darkness,
silence.
I wait.
I worry.
I wimper
I beg.
I plead.
I cry…
silently.
Inside
its a miracle


I explode.


I feel you
I gasp for
air
I've forgotten
how to
breathe.



Remind me.




Because
in this moment,
breathing
is not
real…
The world
falls
and all that is left
in this realm
is this bed
with the two
of us
intertwined
so that
there is nothing
but us.
I am you.
You are me.
And you
are
reminding me
to breathe.”

~fukenrights

5PM

Lovely Lolita

Lovely Lolita

“Lovely Lolita,
With her cherry lips,
and her lollipops.
Her lavender sundress lapping,
Like a bell around her form.
How divine she is!
Hopping about the living room,
With one sock off.
When she looks at you,
You want to fill her eye,
With color and ducks,
and carnage.
You crave the flourish of her blooming hips,
How chaste she is!
Scamping about with her skipping rope,
Out on the cobblestone walk.
When she speaks to you,
You want to pinch that little pink tongue,
Between your old man’s teeth,
And never let go.
When she’s lounging in the garden,
With those Hollywood glasses upon her face,
What sweet solace you take,
In that doeful darling,
Painting her nails like a full grown woman.
You would like to take that little painted foot,
And suck on each pretty toe,
Bite those dainty things,
Because they drive you mad with desire.
You gawk at the glow,
Of her pale face in the moonlight,
as she lay tucked in her bed.
The sleeping nymph dreams,
Of tambourines and huckleberries.
You wanted to rip her from that bed,
And make her yours,
Spread her colt-like legs,
And feed from her strawberry mouth.
So you did, you dirty, ghastly,
Old man beast,
And she liked it—
But they’ll never believe you.”


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